sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O s w a l d o
d e 
C a m a r g o

EM MAIO
Já não há mais razão de chamar as lembranças
e mostrá-las ao povo
em maio.
Em maio sopram ventos desatados
por mãos de mando, turvam o sentido
do que sonhamos.
Em maio uma tal senhora liberdade se alvoroça,
e desce às praças das bocas entreabertas
e começa:
Outrora, nas senzalas, os senhores...
Mas a liberdade que desce à praça
nos meados de maio
pedindo rumores,
é uma senhora esquálida, seca, desvalida
e nada sabe de nossa vida.
A liberdade que sei é uma menina sem jeito,
vem montada no ombro dos moleques
e se esconde
no peito, em fogo, dos que jamais irão
à praça.
Na praça estão os fracos, os velhos, os decadentes
e seu grito: Ó bendita Liberdade!
E ela sorri e se orgulha, de verdade,
do muito que tem feito!
Oswaldo de Camargo

a questão moral dos conceitos

                        Analise sociocultural da questão da homofobia

            Sabe-se que na antigamente a igreja não aceitava os negros e os indígenas, alegando que os mesmo não possuíam alma. Embora os tenha tentado catequisar. No período escravagista nos deparamos com a realidade racista do branco que quer se sobrepor ao negro. Este pensamento racista e separatista tinha o apoio se não o comando da igreja. Ao que sabemos hoje este teoria de supremacia de raça não é valida, sequer fundada, de fato que se fossemos mesmo fazer alguma separação teríamos de colocar como superiores os negros, por que eles têm maior resistência para sobreviver, podemos citar, por exemplo, a presença intensa da melanina que protege a pele destes, também se é possível notar que os efeitos do envelhecimento são geralmente mais cruéis nos brancos. Porem tal separatismo não tem fundamentos lógicos para existir, além de violar os principio básicos dos direitos humanos. Havia também estereótipos quando a racionalidade e a capacidade intelectual dos negros, um estereótipo também abolido pode citar um exemplo clássico para comprovar que o negro (assim como o branco) é capaz de produzir trabalho intelectual lembrando dois importantíssimos nomes da literatura brasileira: Oswaldo de Camargo e Cruz e Souza, negros e poetas, marcaram pra sempre a historia da literatura brasileira.
            Vamos agora para os princípios abolicionistas. Quem lutou pela liberdade dos negros e pela igualdade? Tantos os grupos de negros rebeldes como filhos de fazendeiros se uniram por estes ideais. Assim nota-se, que mesmo os brancos a quem a escravidão não feria fisicamente, e mesmo assim feria moralmente poderiam entender a importância de haver uma igualdade racial. Voltemos ao pensamento escravagista defendido tanto por fazendeiros como pelo próprio clero, a ordem na época se baseava no sistema de escravidão, porem um senso comum para alguns de igualdade levou a estes a uma subversão, levou-os a se revoltar contra o sistema vigente, por uma questão de ideologia moral. Com toda essa subversão gerou-se uma pressão que acabou resultando enfim na abolição da escravatura, sabem-se diversos fatores foram somados para que se obteve-se esta conquista.
            Agora, tendo demostrado o poder de subversão que um grupo pode ter diante do poder coercitivo de uma sociedade, vamos analisar outra questão importante: a homofobia. Acontece um ataque por parte da igreja aos homossexuais assim como acontecia com negros e indígenas, este fato é explicito tantos em reunião clericais quanto nos temas discutidos em cultos. Já houve um tempo em que a homossexualidade, chamada de homossexualismo era encarada como doença ou transtorno mental, mesma na psicanalise podia-se perceber que uma serie de pessoas que eram homossexuais apresentavam algum transtorno neurótico ou histeria, porem seria um sofisma dizer que se histéricos podem ser homossexuais todos homossexuais seriam histéricos, ainda mais se levarmos em conta que os homossexuais analisados estavam a procura de uma analise, assim não foi feita uma analise de todos homossexuais e sim uma analise dos que estavam com problemas. Do mesmo modo as pessoas tidas como normais procuram um psicanalista quanto estão com problema. Assim como ocorreu com os negros tentam afirmar que os homossexuais são degenerados e acusam sua racionalidade e intelectualidade, porem novamente se pode quebrar este estereótipo relembrando personagens clássicos da historia como o grande imperador Nero e o musico Tchaikovsky, que já tocava piano aos cinco anos de idade. Bom, o que se percebe quando se tenta fazer uma analise de níveis intelectuais para raças ou gêneros é que não há padrões para isso, qualquer gênero poderá apresentar intelectuais ou tolos, por que todos a são apenas humanos, e entre humanos há uma infinidade de fatores para determinar esta intelectualidade, sendo um deles se a pessoa quer ter conhecimento ou não, se ele se esforça ou se ela tem oportunidade de desenvolver-se nas áreas das ciências ou não.
            Voltando para a cena homofóbica, temos pessoas que são vitimas do preconceito e estereótipos advindos de uma cultura sexista e de uma indiscutivelmente igreja homofóbica. Assim como não se permitiu o racismo, por questões morais não seria logico permitir a homofobia, já que pelos mesmo princípios de igualdade e liberdade todos tem o direito a vida e ao respeito. Assim como os brancos também lutaram pelos negros por que os heterossexuais não poderiam lutar, e entender a causa luta dos homossexuais? Muitos são os que dizem que um hétero não precisa ver um casal de homossexuais se beijando, mesmo homossexuais dizem isso. Porem da mesma forma que casais héteros se beijam em publico também os homossexuais o podem fazer, simplesmente por que temos o direito de existir, temos uma constituição que mais do feita para gêneros foi feita para humanos, cidadãos. Sobre tudo quando este beijo vem sobre forma de protesto temos de relevar este processo com a mais pura liberdade de expressão. Agora vamos discutir um ponto crucial nisso tudo, o conceito de liberdade de expressão. A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não é absoluto, e não pode ser usado para justificar a violência, a difamação, a calúnia, a subversão ou a obscenidade. As democracias consolidadas geralmente requerem um alto grau de ameaça para justificar a proibição da liberdade de expressão que possa incitar à violência, a caluniar a reputação de outros, a derrubar um governo constitucional ou a promover um comportamento licencioso. A maioria das democracias também proíbe a expressão que incita ao ódio racial ou étnico.  Deste modo ter liberdade de expressão não significa que você pode sair por ai ofendendo o direito dos outro. Fica uma pergunta no ar, se você ano aceita o racismo por que você aceita a homofobia?
tchaikovsky
            Não se escondam, nem fujam desta luta. Quem cala consente. 

Oswaldo de Camargo



cruz e 
Souza


uma lição de humildade

O caso do nobre poeta vagabundo: 
                   Entra no ônibus um homem de idade acima dos quarenta de aparência não muito boa a principio trajado de pobreza. Paga a passagem com um vale transporte que eu faço questão de conferir se não passou da validade. Atitude até então preconceituoso e de baixo valor moral. Confiro o vale e coloco no bolso. Depois de certo tempo ele puxa conversa no assunto do tempo das viagens em vista do transito estar lento. Logo pede desculpas por estar conversando comigo, como se estivesse me incomodando. Eu finjo que não ouço as desculpas, me debruço sobre a poltrona e puxo mais e mais assuntos com o homem. Eis que me deparo com a dura realidade, logo me senti pequeno como um Grão de areia, o homem trajado de pobreza se tratava de um nobre poeta de rua, um poeta da vida, com o coração cravado de historias emocionantes. O homem tinha poesia na veia e eu me achava o poeta, pois é como minha sabedoria ficou pequena perto dele. Ele comparou andar de ônibus como andar entre quatro paredes; preso. Por deus ele chamou apartamento de departamento, mas isso foi uma das coisas mais inteligentes que eu ouvi na minha vida.na nossa conversa cheia de poesias e versos nobres ele me contou que a muitas semanas ninguém conversava com ele, ao mesmo tempo que me vi como simples por conversar com ele, um ato quase nobre. Senti-me pequeno por julgá-lo quando entrou no ônibus, em vista do que ele mesmo me disse, quanto tempo perdemos sem conversar até que se iniciasse nosso dialogo fervoroso. E meu grão ego, deixou de ser nobre e se tornou vassalo. Eu um pobre poeta pude contemplar o mais nobre mestre, o filho das ruas marcado pela vida, com o corpo emerso em sabedoria e a alma divina. Dei parabéns a ele e ele retribuiu o mesmo, depois deis umas de minhas poesias pra ele levar.

isso aconteceu quando  eu trabalhava em coletivo. foi uma coisa incrível mesmo, nunca vou esquecer dessa lição e desse personagem, isso marcou muito minha vida.

qual a medida do amor???

“A medida do amor é mar sem medida.”
(santo Agostinho)

Seria mesmo possível arrumar uma medida para o amor?  Então o amor e miscível? Quando dizemos que estamos amando alguém fazemos comparativas quantitativas para o amor (qual tamanho do seu amor por mim? maior do que todo esse mundo). Às vezes dizemos que alguém tem um coração enorme (não estou falando de doenças do coração), que cabe muita gente dentro do coração de tal pessoa. Talvez, apenas talvez, o amor não tenha medida. O amor tem formas, diversas formas de ser. Tem amor de irmão, amor de pai, amor de mãe, amor de amigo... Varias formas de amar. Não posso medir meu amor em metros ou quilômetros, tampouco dizer quantos quilos de amor eu tenho. Jamais poderei dizer quanto tempo meu amor vai durar, horas, dias, meses ou anos. Não se pode medir o amor, não mesmo, mas se pode senti-lo. E sentir me basta. Me completa. Talvez eu devesse desistir de encontrar o amor, mas eu seria tolo se o fizesse. Não sei medir quanto tempo vou ter que esperar, mas acredito veemente que ele ainda vai chegar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

e sorvo seu liquido corpo

SORRISO DE LOBO
OLHAR DE CORVO
PASSOS DE CERVO


Vamos cantar a bossa nova feita de carinho e mártir
Traz um dry Martine para mim, toca a bossa nova ate o fim.
Vamos bailar o baile dos condenados, aprisionados por estarem apaixonados.
A flor mais bela e perfumada do campo, simplesmente tua boca.
 Beija-me meu príncipe não faz assim. Beija-me meu príncipe, não faz assim. Beija-me e me beija, deixa que eu enlouqueça em teu doce carmesim, me beija, não me deixa assim.

 E eu aqui, no meu pós-traumático encefalograma dramático. Fico me perguntando, pode haver algum pecado na boca das virgens?
O que procuro, sei que você pode me dar, a semente do beijo.
Que preciso pra amar.
Hoje posso dizer:
Sei teu nome
Sei teu rosto
A cada tênue esboço.
Sei teu nome, pra um poeta isto basta.
Poetas precisam de almas
Cheias de poesia como a tua.
Ainda te prendo em minha teia de aranha
Mordo-te com meu doce veneno
E sorvo teu liquido corpo.

vc ja viu um anjo de cabeça para baixo???

ANJOS DE MADEIRA, DE CABEÇA PARA BEIXO NO VERSO INVERSO DO PAPEL.

Eu odeio te amar
E amo te odiar
Sou um parnaso
Não palhaço, não mais.
Estou aqui pra fazer quem me ama sofrer
Pois sou um anjo de cabeça pra baixo.

Nasci de um pulso cortado
Lembro-me da navalha na minha mão
Lembro-me do sangue e da dor
Lembro-me do frio, lembro que estava sozinho.
Lembro-me de quando fiquei de cabeça pra baixo.

Lembrei-me de haver lecionado filosofia
Lembro-me de ter transmitido saber
Lembro-me do meu nariz vermelho e do rosto pintado
Lembro-me de ser um poeta palhaço
Lembro-me dos amigos e dos milagres…
Lembro que isso acabou
Lembro-me da lagrima manchando meu rosto.

Lembro-me do começo ate o fim
Lembro-me das coisas do mundo ate as vestes do rei
Lembro de que nada sei.

Tenho tinta, lápis, cor, papel. Tenho raiva, dor, vazio. Tenho caminhos cheios de espinhos.
Queria ser um gato de botas e soltar granadas
Dançar sobre pregos enferrujados e vidro quebrado
Mas antes tenho de andar descalço.

Sou espelho
Reflita
Sou vidro quebrado
Meu sorriso foi consumido
Pelo acido caustico.
Vou ficar só
Quero ficar sozinho esta noite
Com meu jonny Walker e minha taça trincada
Quero um cigarro-a-metade já apagado. 

no puedo mas vivir sem ti

Serena rosa

Na porta, bate.
Na porta, bate.
Quem bate na porta
Quem bate na porta

Na porta, bate.
Abre
Entra

Na mão
O que tem nas mãos?
Uma rosa
Pra ti, uma rosa.
O que é isto
Um sorriso
Lindo sorriso, tão belo como a rosa na mão.

Lábio no lábio, toca.
Olho no olho, olha.
Boca vermelha, boca rosada, beija.
Duas bocas, língua na língua.
Perna com perna, roça.
Barba na barba, corta.
No pescoço a barba roça, arrepia.

Olho no olho
Boca na língua
Barba roçando
Beijo na orelha
Abraça apertado
Por trás namorado
Abraçado colado, corpo no corpo.
Barba roçando pescoço


Coração batendo
Da pra sentir o pulsar do outro
Respiração ofegante
Carinho gostoso


Boca molhada
Rosa no copo
Os dois abraçados
São namorados
Agora parecem raposas
E repousam lado a lado
Os dois namorados num quarto
A rosa assiste admirada
A magia do amor dos namorados.